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O Tribunal das redes sociais

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No Tribunal das Redes Sociais somos julgados, criticados e até ofendidos por outras pessoas que se consideram melhores que as outras, sendo que estas também acabam sendo julgadas, criticadas e ofendidas. Ou seja, é um território de guerras onde todos se atacam, na maioria das vezes, sem qualquer fundamento, apenas porque discordam uns com os outros, ou pior, em razão dos seus achismos.

No Tribunal das Redes Sociais as pessoas não podem expor livremente suas opiniões porque alguém sempre se sentirá ofendido e irá destilar ódio em resposta. Ao invés de conversar e dialogar preferem partir para o ataque, uma forma de autodefesa, talvez.

Neste Tribunal, temos grandes vozes, vulgo sites de notícias de jornais que publicam muitos casos, dos mais variados tipos para que seus juízes de plantão, ou seguidores, julguem sem qualquer conhecimento real de causa, apenas considerando como “verdade absoluta” o que leram naquela notícia. Quanto mais curtidas e compartilhamos mais veracidade a notícia tem, não importando a lógica racional do que é narrado, é assim que os juízes da internet fazem suas avaliações.

Eles, porém, se esquecem, que as grandes vozes das redes sociais querem simplesmente uma coisa: audiência. Quanto mais comentários, curtidas, compartilhamentos, melhor. Não importa se é repercussão positiva ou negativa, importa apenas estar na boca do povo. Para isso, muitas notícias são adulteradas e escritas de forma sensacionalista. O povo cai e os juízes manipulados vem a tona. Você talvez ainda não tenha pensado que é, quase sempre, manipulado na internet, não é mesmo? Mas é. Acredite.

Um recente caso de manipulação midiática é o do jovem Josias. O resultado, infelizmente foi trágico, ocasionando o suicídio do rapaz e a desestruturação de uma família. Sobre este polêmico assunto, inúmeros jornais que preferimos não citar o nome, publicaram em manchete o título “Falso médico foi preso por dizer que era formado pela série “Grey’s Anatomy”. A notícia viralizou e todo mundo começou a rir da situação, ofender o rapaz, criticar, xingar, se revoltar. Inúmeras reações com base, na maioria dos casos, apenas no que leram no título da notícia. Uma menor parte leu efetivamente o conteúdo da matéria e quase ninguém procurou realmente saber o que verdadeiramente aconteceu. Você que teve acesso a este caso, ficou apenas com as notícias da internet ou foi efetivamente investigar todas as fontes?

Ocorre que quem investigou descobriu que não era tudo tão verdade assim. A história tem um fundo de verdade misturada a um sensacionalismo com um tanto de mau entendido e uma dose imensa de julgamentos.

O rapaz realmente não era médico, mas de acordo com seus amigos, que estiveram em sua formatura, ele era cuidador. Ele também pretendia ter um canal no Youtube e em um dos vídeos, chamado “50 fatos sobre mim”, popular na rede, ele apenas brincou em tom bem humorado dizendo que “Era formado em medicina pela série”.

Ele realmente foi preso, mas foi um mal entendido, que foi esclarecido e tudo deveria ter acabado bem. Mas o fato é que a bomba caiu no Tribunal da Internet e os juízes de plantão começaram os ataques ferrenhos ao rapaz que sem aguentar tanta pressão, optou pelo suicídio em uma tentativa desesperada de por fim ao sofrimento e perseguição.

Quantas vezes nós não somos juízes de alguém? Quantas vezes não somos assassinos sem que percebamos? A internet tem muita coisa boa, mas infelizmente, é onde o ser humano tem demonstrado o pior de si.

Apenas reflita.

About the author

Allan Ribeiro

Minha história com o jornalismo tem uma trajetória que começou a ser escrita aos 11 anos de idade, quando comecei a representar o jornal O Diário da Manhã.
O fiz por gostar de ler e de estar informado. De entregar o jornal passei a enviar notícias da cidade a serem publicadas.
Ao visitar o jornal, em conversar com o senhor Batista Custódio, surgiu a possibilidade de publicar artigos sobre temas específicos. Foi o que fiz, e ver a repercussão só me incentivou.
Deste ponto passei a publicar também no O Popular. Como a volta do Novo Horizonte ao futebol profissional integrei a equipe da Rádio Xavantes, graças a Deus, naquela oportunidade o time subiu para a divisão de elite.

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